Vivo sem direção. Estou a tornar-me tudo, exceto eu. Não suporto mais essa tempestade, então sofro, apodreço e morro aos poucos. Meu coração dói. Minha alma chora. Meu
corpo enfraquece. E certa frase sartriana continua a martelar em minha cabeça: O mundo é horrível.
Ando tão calejado, tão machucado, tão maltratado que vivo
a deriva de mim. Queria tanto não navegar sob a face dessa bússola moral apontando
para um norte- que não é o meu-, ser um espírito livre, encontrar meu
próprio farol, desbravar meus oceanos e transformar a palma da minha mão
em mapa. Mas
parece que a vida, simplesmente, esvai-se pelos meus dedos e sinto trevas, sinto
a dor, sinto a angustia, sinto a insegurança e sinto-me- como diria Drummond- gauche.
Andam, há tanto tempo, ao meu lado, trevas, que já as tenho como uma caríssima amiga. Há dias que tenho vontade de me afogar em escuridão e trancar-me num claustro cercado por minhas lágrimas e minha dor e minha angústia. Ser ilha, mesmo que, por breves instantes.
Andam, há tanto tempo, ao meu lado, trevas, que já as tenho como uma caríssima amiga. Há dias que tenho vontade de me afogar em escuridão e trancar-me num claustro cercado por minhas lágrimas e minha dor e minha angústia. Ser ilha, mesmo que, por breves instantes.
Amo- ou melhor, porém amo-. E o amor me impede de
desistir, faz-me aguar reaprender a navegar e seguir meus instintos para,
talvez, não mais precisar daquela bússola e guiar-me apenas pelas
estrelas, pelos ventos e pelas marés do meu eu. Assim, estar pronto para, quem sabe um
dia, levar uma vida plenamente imprecisa.
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