sábado, 2 de novembro de 2013

A morte do Eu.

Sinto-me morrer. Não me leve a mal. Apesar de metafórica, posso lhe garantir que, a minha morte, é bastante real.
Preciso iniciar um novo capítulo. Nele não quero frangalhos do que outrora escrevi. Ele será um divisor de águas. Todavia, para tal feito, necessito pôr todos os devidos pontos finais nessa odisseia. Somente então, ousarei tocar nas páginas em branco. Quando nessas alvas maravilhas tocar, me recuso utilizar meandros para evitar partidas.
Planejo uma reviravolta nessa saga. Prevejo muitos momentos alá Clarice Lispector Apuro meus sentidos para permitir o meu eu partir. Pois então, ouso matar-me. E, nasço em mim, do pó de quem outrora fui.
Nesse exato momento, nasce uma nova estória dentro daquela velha. Os ventos mudaram o rumo. Sinto uma nova correnteza. Morri para recomeçar um ciclo e renasço para matar essa nova pessoa.

Pois há momentos em que a pessoa está precisando de uma pequena mortezinha e sem nem ao menos saber. Quanto a mim, substituo o ato da morte por um símbolo. [...] Eu, que simbolicamente morro várias vezes só para experimentar a ressurreição.”
– Clarice Lispector, A hora da estrela.

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