sábado, 7 de setembro de 2013

Como uma obra-prima.

Desde cedo, resolvi que queria que a minha vida fosse uma obra de arte.
Assim que pude, comecei a trabalhar na tal peça que seria a obra da minha vida. A principio comecei a criar os traços a lápis, pois a qualquer momento poderia apagá-los e recomeçar.
O tempo foi passando e as adversidades foram surgindo, devo confessar que sempre tive medo do futuro e do inseguro e, assim que as coisas apertaram, apaguei todos os meus rabiscos e cobri a minha tela de preto. Passei por muito tempo no conforto que somente a escuridão nos dá, mas a minha alma sentia falta de luz e aos poucos vi necessário jogar tons de branco, em alguns poucos e escassos lugares, para tentar criar em meu âmago a falsa ilusão que tudo estava bem.  Todavia, mal sabia eu que a nossa alma sempre água por mais luz, logo as trevas iam se tornando cada vez mais desconfortáveis e eu ia salpicando ainda mais a minha tela com o branco.
O meu mundo havia se tornado “Chiaroscuro”, repleto de luz e trevas, que se alternavam sem se dominarem e ao mesmo tempo sem co-existirem pacificamente. Ainda assim, a minha alma ainda gritava por mais, ela pedia por mais vida.
Hoje eu ouso pintar a minha tela com cores pastel, apesar de ainda haver o branco e o negro se contrapondo, mas eu tento da forma mais discreta possível pôr cor, pôr um pouco mais de vida.  Anseio pelo dia em que viverei como numa linda obra renascentista, perfeita nos padrões greco-romanos, cheia de cores, formas e ângulos.
Pode ser que no futuro eu tenha transformado a minha tela em algo com projeções cubistas, futuristas, ou expressionistas, mas que essas transformações ocorram porque eu quero, não por medo, por fraqueza, por dor, por sofrimento, mas porque eu mudei para mim e não para os outros. Contudo, por agora, eu preciso viver na renascença, preciso desafiar-me a quebrar paradigmas de dualidade medievais que ainda atormentam-me, preciso viver um grande amor, mesmo que fatal, como o de Romeo e Julieta.
No fim da vida quero olhar para traz ver beleza, ver que durante a minha pequena e insignificante existência, eu vivi eternamente, exatamente como uma obra-prima.

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